segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A peleja do Sapo Boi com a Mexerica Rosada ¹


Peço licença ao doutor

Se nenhum incômodo for

Pra contar, nem bem nem mal,

Um caso que se passou

De tristeza e de amor

Na UERN de Natal


É o caso do sapo boi

Que acreditando foi

Que podia conquistar

A mexerica rosada

Que vai viver agoniada

Até a estória acabar


O Sapo era um bicho escroto

Nem muito velho nem moço

Num era bonito nem feio

Era uma troço meio tosco

Dando uma aparência um pouco

Com um Cururu tei tei


O bicho era muito brabo

Destes cabra avalentado

Por qualquer coisa faz um mal

Reclamou de umas crianças

Que por ali, num festança

Comemoravam o natal


Já a Mexerica Bela

Traz todo homem a janela

Na rua que ela passar

Tem os olhos que nem biloca

E um andar que nem fofoca

É capaz de derrubar


Tem um corpo em formosura

Na cabeça sem frescura

Tem ideias de esbanjar

Boto fé que não falseia

Só sendo fia de abelha

Pra tudo nela adoçar


Quando o sapo rei olhou

Os olhos da linda flor

Mostrou-se logo um maioral

Disse que era valente

Cabra rico e influente

Tinha até mesmo um jornal


A mexerica coitada

Quase num entedia nada

Só fazia gargalhar

Mas quanto mais ela sorria

Mas o carcará sentia

Vontade de pelejar


Entrava e saía dia

E a coitada só sofria

Nas garra do petulante

Rogava pra todo santo

até se mudou de canto

Pra fugir do pelejante


O cabelo ela pintou

No rosto se maquiou

Usou lente de contato

Mas de nada adiantou

Pois tinha sempre um delator

Pra avisar ao carrapato


Tinha a Azeitona Amarela

Que só podia ter na goela

Chá de água de chocalho

O Pimentão Arroxeado

que tinha cara de malvado

de jogador de baralho


Até esse que vos fala

Não contive a minha fala

E a entreguei também

Mas prometi que na vida

Se tiver outra saída

Jamais entregar ninguém


E o tempo foi passando

Até que surgiu nos planos

Da Oliva Faladeira

De aproveitar o clima

Das festanças natalina

Pra marcar uma brincadeira


E no dia combinado

Não sei por quem convidado

Chega lá o Tal anfíbio

E a azeitona louca

E olhe que já tinha pouco

Perde o resto do juízo


Num sei se foi por inveja

Por ser ruim ou por ser lesa

Que a maldade cometeu

Anotou nome e telefone

Entregou nas mãos do homem

E o desgraçado agradeceu


Daquela hora em diante

A peleja foi constante

Num parou um só momento

Esse fato transformou

A vida da linda flor

Num verdadeiro tormento


Ele ligou ali, na bucha

Parecia que era uma luta

Um caso de vida ou morte

A Mexerica tremia

Soluçava que doía

De vê-la naquela sorte


Mas a cena mais marcante

Eu diria até chocante

Prum homem naquela idade

Foi no dia do presente

Que ele sorteou com a gente

Qual um gesto de bondade


Um livro ele ia doar

Mas sei que só ia parar

Quando fosse sorteada

O alvo de sua cobiça

Nossa doce mexerica

E ela foi premiada


Ele chamou a flor mais bela

Como quem coça a goela

A esperar a sobremesa

Já vei com os beiço estirado

Com os dois braço alevantado

Como quem beija uma princesa


E a tangerina linda

Como quem foge da berlinda

Ou de um monte de bosta

Fez cara de nojo e medo

Pegou com as pontas dos dedos

Virou e saiu de costas



Mas igualzinho a um carrapato

O calazar pegou no braço

Da coitada que fugia

E quanto mais ele puxava

Mas ela se estrebuchava

Torcia e se contorcia


Até que talvez por pena

Ou para abreviar a pena

Aliviar seu sofrimento

Ela amoleceu o corpo

E ofereceu seu rosto

Pra aceitar o cumprimento


Mas num tem um só cristão

Que nessa situação

De vergonha num pereça

Eu mesmo fiquei vermelho

Ainda procurando um meio

De enterrar a cabeça


E assim foi se passando

E a desgraça pelejando

Chega já perdi as contas

Das vezes que o tal sapão

Tentou encosta a mão

E recebeu uma afronta


Mas tem gente que num enxerga

Que quando uma mulher nega

Assim tão determinada

Você pode ter dinheiro

Roupa, carro estrangeiro

Que num vai servir pra nada


Por hoje vou terminando

Mas já já estou voltando

Para com vocês falar

Da estória do Sapo Boi

Que da mexerica foi

A pedra no calcanhar.

1. Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

Aílton Torres Câmara





quinta-feira, 30 de setembro de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

Bacalhau de Segunda

Adaptação de "As Baleias - Roberto Carlos"
Versão: Ailton Torres
(Alguns trechos nem foi preciso alterar…)



Não é possível que você suporte a barra
De ver seu time ir pra segunda divisão
E, no estádio, se debater em sofrimento
E não sentir-se um perdedor neste momento.

Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o gramado devastado
De um campo que tu já chamaste cadeirão.

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelo bacalhau que já cruzou o oceano
(pra ser vice)
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas esportivos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar ao maracanã e a fúria louca
De uma flâmula exposta aos ventos
Nos seus áureos momentos
Relembrando um troféu entregue em outras mãos
(A glória de ser vice.)

Como é possível que você tenha coragem
De ainda torcer, ainda sonhar ser campeão,
De acreditar em um timeco sem futuro
De perder a chance de uma vez, descer do muro.

Mudar seu rumo e transformar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor.
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Virar Nação, torcer pra um time vencedor.

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelo bacalhau que já cruzou o oceano,
(foi pra tóquio)
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas esportivos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar ao Estádio Nacional e a fúria louca
De um Galvão todo ansioso:
“Olha o Raúl, ele é perigoso…”
Assistindo ao Real, do mundo, campeão…


Não é possível que você suporte a barra…

sábado, 10 de abril de 2010

Mágoas de um Sonhador Verdejante

..........Não! Caros amigos, não estou com minhas faculdades mentais em eclipse. O título é uma brincadeira com um fato recente na vida deste estagiário da literatura que vos escreve. Há cerca de um mês, um colega deixou um comentário, que culminava com um pedido, no meu blogue "Um Sonhador de Pé no Chão". Óbvio que não vou transcrever o curioso documento, nem citar nominalmente o autor de tal prosopopéia [Sentido figurado, por favor]. Sim, o texto era empolado, perfumado e rebuscado. No entanto, chego a crer que o empolamento era devido a uma provável alergia ao perfume barato utilizado, que talvez tenha sido re-buscado no Paraguai. Era uma construção absolutamente descompromissada com a semântica, tal qual uma releitura de "escravos de jó" para um público intelectualóide.
..........Para minha comoção, lembrei que textos assim não são uma exceção à Pregadeira Verdejante_Blog regra em nossa literatura informal. Muitos "escritores" intoxicam nossa tão bela língua brasileira. Eu alternava entre riso e choro. Ria daquela construção, que se assemelhava a uma casa muito bem projetada, construída e pintada, todavia suas portas não se abriam, inutilizando-a para o fim a que se destinava, condenando-a a permanecer para todo o sempre sem conteúdo.  Chorava ao perceber que eu não conseguiria absorver o que ele quisera transmitir.
..........Não obstante, jamais poderia aceitar [aprovar] e deixar ali publicado aquele comentário, expondo-o ao ridículo. Ficaria ele magoado por eu não aceitar[aprovar] tão singela homenagem? Para se ter uma idéia, ele referia-se a mim como "O Sonhador Verdejante" [beirando a bajulação]. Não sei se  chamava-me assim por achar que eu possuo a capacidade de me tornar verde tal qual o cientista banhado por raios gama dos quadrinhos; talvez de colorir as coisas que toco, como um Midas que, em vez de ouro, transformasse tudo em esmeraldas; quem sabe um guerreiro do 265461 Green Peace?; talvez... Desisto!
..........Bom, aí veio o pedido. Foi a entrada providencial de "Juninho play",  bem na hora em que a donzela iria ser atacada pelo "Edu Papão" [Analogia paupérrima]. Ele pedia que escrevesse um texto para entregar a uma "boy" que despertara seu interesse, mas que não correspondera ao afeto por ele demonstrado por "diversas outras tantas vezes". [ainda me perguntei se isso era proposital...] Por quê o pedido foi a salvação da lavoura? Simplesmente porque eu perguntei-o se era para deixar o seu pedido exposto, correndo o risco de um dia ela ler e pensar mal sobre ele [Em verdade, descobrir sua incapacidade literária, de forma abrupta]. Estava feito o desdobro, mais ainda restava a dúvida: Escrever ou não escrever? Eis a questão! Escrevi-lo. Fi-lo usando algo próximo, mas com sentido, ao estilo [ou a falta dele] do requerente. Ei-lo:

..........Natal, 06 de Setembro de um ano qualquer.

..........Querida e admirada Consuelo¹,

..........Escrevo-te estas tão bem aventuradas linhas, constantes nesta missiva, que entrego-te junto com meu músculo cárdio, para que possas abstrair dela um elixir da felicidade, capaz de curar essa pungência em meu ser, quase etéreo de saudade, cuja alma clama por ti, qual náufrago ao socorro.
..........Tua beleza insuplantável, estonteantemente abnegada e superlativa, causa-me incomparável e quase insuportável fulgor.
..........Tenho, minha ofuscante e bela amada, convicção plenamente consciente da tua quase tangível tendência à falta de interesse por esse sonhador que te dirige tão singelo e resignado apelo. Porém, exuberante orquídea, meu peito lacerado, no recôndito mais profundo, inquietantemente vislumbra um lampejo de esperança.
..........Aspiro, linda obra de Deus Pai, que teu nobre coração, sempre pronto a caridade, se compadeça da ardência em meu peito e permita que meu desejo sopre a brasa adormecida, sob as cinzas do passado, que um dia fez-te amar-me. Abra as portas da tua alma para que eu possa te trazer a mais perfeita alegria que o amor pode proporcionar.

..........Espero resposta,

..........Do sempre seu, incansável e incorrigível,

..........Pepeu.
_________________
¹ Os nomes contantes na carta são, obviamente, fictícios.






sexta-feira, 21 de agosto de 2009

" Eu Mesma "

 
grito1Enquanto em seu olhar risonho
Um vulto de sonho eu puder encontrar
Meu olhar tristonho, que nada renega
E espera da vida o que ela pode doar
Soará o seu grito, sem dor e sem medo
Mais forte e mais cedo a cada amanhecer.
 
Até que seu beijo esteja enfim dissipado...
 
paciênciaEnquanto em seu andar fugaz 
Um pouco de paz eu puder perceber
Meu querer audaz, que com nada se espanta
E arranca da vida o que ela tem que prover
Sem perder o controle, te devorará
Mas fará com a calma de um ruminante .
 
Até seu sabor ser enfim esgotado...
 
       Ailton Torres Câmara - Agosto de 2007





quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Espontâneo Morreu de Novo.

.......... vaiaCerta feita, em uma apresentação musical mais ou menos,  após uma música bem mais ou menos, executada de forma mais ou menos ainda, recebi um severo beliscão da garota que estava ao meu lado, pois eu era o único no ambiente que não estava a aplaudir o famoso grupo mais ou menos. Pensem, caros leitores, que estive às raias de esbofeteá-la. Sou obrigado a aplaudir o que não gosto? Qualquer artistazinho mais ou menos que fizer uma rocklighter3apresentaçãozinha mais ou menos vai se sentir uma estrela. Isto tudo me fez refletir sobre a função do aplauso, dos assovios, das vaias, e até daqueles isqueirozinhos mais ou menos que estão acendendo agora até em shows do Calypso. Atualmente os isqueiros estão sendo substituídos por celulares com uma imagem de uma vela em chamas, como essa ao lado. Os dedos agradecem…

.......... Perdemos a espontaneidade. Viramos Marias vão com as outras. A regra passou a ser o aplauso. Termina uma falação em uma palestra em que dormistes o tempo todo, acordas com os aplausos e começas a aplaudir, por quê? Passamos a fazer quase tudo por obrigação, uma "coação social irresistível". Torço para que um dia possamos recuperar a autenticidade das nossas ações. Quero meu direito de vaiar ou aplaudir apenas quando achar que o devo fazer.

..........  Abaixo segue minha opinião formada sobre o aplauso(Não coloquei arremessos de tomates ou limões nem histeria generalizada, porque, para mim, foge à racionalidade):


Grau Atitude Descrição
1 Vaia Detestou? achou uma merda? Vaias para quê te quero? Mostre que você, seu tempo e seu dinheiro, merecem respeito.

2 Inércia Não gostou? fique parado, o artista vai perceber que não agradou muito, não vai se iludir e com certeza tentará fazer melhor na próxima vez.

3 Aplauso comedido
(0 a 10s)
Achou mais ou menos? dê um incentivo. Não custa nada e faz um bem danado. Mas nada de frenesi, palmas espaçadas, por favor.

4 Aplauso
(acima de 10s)
Gostou? Aplauda com vontade. Uma massagem no ego faz bem e quem sabe emocionar merece.
 
5 Aplauso de pé "Bombou"? Vai ficar na memória por no mínimo uma semana? Você vai sair indicando para Deus e o mundo? Massagem tailandesa, drenagem linfática e os cambau a quatro no Ego deles.

6 Ovação Agora, caso você tenha acabado de  assistir a um dos espetáculos mais encantadores, fantásticos e que jamais sairá da sua cabeça? Pulmões a postos, palmas, assovios e gritos são muito bem vindos.

E tenho dito…



segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Nada Que o Tudo Traz

adriano .......... Era [mais] uma vez um homem que queria parar, descansar…  E era uma [outra] vez um povo que não queria que ele parasse. E agora? o que vale mais? A busca da felicidade ou o desejo incontrolável que o povo tem de meter o bedelho na vida dos outros?

..........O “Imperador” renunciou ao cargo e declarou: Vou-me Embora pra Pasárgada, pois lá eu sou amigo da galera. Até aí tudo bem, nada que mereça um post, nem sequer comentários fora do mundo esportivo. Mas ao ler algumas entrevistas de senhores donos da verdade absoluta e suprema, revoltei-me e resolvi escrever a respeito. Um técnico/psicólogo/filósofo/sociólogo, cujo nome até interessa mas não vou dizer, dizia: “Adriano precisa se tratar urgente”. Além disso eu li coisas como: “Ele tem que casar…”; “A única coisa que ele sabe fazer é jogar futebol” entre outras. Mas a minha preferida é “Adriano se sente fracassado com o sucesso”. Daria um ótimo refrão para uma música do Humberto Gessinger. É… o preço que se paga, às vezes, é alto demais… Mas e se eu quiser pagá-lo?

.......... É exatamente aí onde reside o cerne da questão. Se você é um menino pobre e sente-se frustado por não ter dinheiro, as pessoas dizem: “Dinheiro não é 0,,20380637-EX,00tudo, o mais importante é ter caráter e ser feliz”. Daí você, de repente, fica rico e quer seguir o conselho, eles dizem: “Você está louco?”. Vai entender as pessoas, né? Mas não é difícil de entender não, a regra é simples e clara: Pobre que quer dinheiro é ganancioso e corre sério risco de se corromper, então devemos limitar suas ilusões para evitar o pior. Já rico que não quer dinheiro é depressivo e corre sério risco de se suicidar, portanto devemos limitar suas ilusões para evitar o pior.

.......... Engraçada essa vida, né? Quando falamos em abstrato, recomendamos uma busca quase desenfreada por amor e felicidade, mas quando nos deparamos com alguém que aplica isso no fato concreto, o chamamos de louco e desequilibrado. Vai entender as pessoas…



terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Os meus versos

..........Normalmente não posto textos integralmente alheios, mas permitam-me abrir uma honrosa excessão...


Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasgas os meus versos...  Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...



Florbela Espanca



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Desculpa de amarelo é comer barro!

O mengão amarelou... Mas...




Enquanto isso em um call center em são januário...



segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Olhos que me queimam

 
Resgataste meu peito dissonante,
Ensinando-o a suspirar uma vez mais,
Nesta noite, em meio a um mar tão arrogante,
A tua bela luz-farol guiou-me à paz.

Trouxeste um sorriso à minha boca,
Hoje, quando ela estava descontente,
Infeliz, triste talvez, quem sabe louca?
Nasceste outra vez em minha mente.

Hoje não consegui ver nada mais,
Além de teu semblante cativante,
Me levando, trôpego e ébrio, ao teu cais.

Esse humor, que te define, te faz moça.
Liberou todo o amargo, então presente.
Obrigado! Pelo ar que escapa à minha boca.

       Ailton Torres Câmara - Novembro de 2008




Seresta de Alentejo

(Homenagem à música: "Fado Tropical", de Chico Buarque)

O musal tropical fado
Tem uma benção em seu brado,
Costuma me embriagar.
Nos seus versos tão tristonhos,
Banho-me ao sol, largo-me ao sonho,
Costumo devanear

Seu ritmo toca minh'alma.
Com a força e com a calma
De um Vinicius de Morais.
Como pode uma canção,
Que não chora o amor vão,
Provocar-me tanta paz?

A beleza do lirismo
Arrebata-me a um abismo,
Onde o chão encontra o céu.
Na tempestade emotiva,
A minh’alma comovida
Destroça meu peito ao léu.

O musal tropical fado
É maldito por um lado,
Costuma me emocionar
Nos seus versos, vez risonhos,
Largo-me ao mar, e aqui componho
O meu próprio soluçar.


Ailton Torres Câmara - 17 de novembro de 2008

Proposto por [e dedicado à] minha amiga Marinha Alves

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Dona do meu ser.


..........Normalmente não gosto de explicar poesia, mas, devido a alguns questionamentos, resolvi fazer um comentário. Percebi que a explicação nesse caso engrandeceria em vez de vulgarizar o poema.
..........Este texto foi escrito sob encomenda de uma grande amiga, que solicitou um "hino" para ajudá-la a passar por uma fase difícil, pra ser mais preciso, uma complicação com um relacionamento de mais de 5 anos. Pediu um poema que "levantasse" sua auto-estima, mas que não fosse apelativo nem religioso. Um hino é para ser cantado, por isso resolvi escrevê-lo em primeira pessoa e, como era para uma amiga, com o "Eu lírico" feminino. A princípio escrevi um canto direcionado a uma terceira pessoa, segunda do ponto de vista da "personagem", por isso era cheio de "tu", "te" e "ti". Percebi que não seria de grande valia o "diálogo" e removi essa "pessoa" do texto, restando uma conversa com seu íntimo, ou um grito aos ventos, sem direção nem sentido. Fiz isso porque acho que o primeiro passo para resolver qualquer crise existencial ou essencial é uma auto avaliação. O segundo é o auto convencimento. O primeiro passo precisaria de informações que eu não dispunha, por isso fui para o segundo passo. Esse "grito" é de convencimento e de libertação. A felicidade é coisa muito importante para ser terceirizada, é trabalho individual. Corre-se um risco muito grande quando se entrega essa responsabilidade a outra pessoa. Qualquer outra explicação a mais seria desnecessária ao entendimento e ao sentimento do poema. Ei-lo.


Dona do meu ser


Não quero ser mais uma nessa vida.

Não quero aquela vida mais em mim.

Não quero ser uma voz na despedida.

Perdida, sem perdão ou algo assim.


O meu mundo não precisa mais do gosto

De um corpo que não saiba o que é amar.

Só preciso da minha luz para o meu rosto.

E essa força já me basta pra sonhar.


Não sou mais uma linda flor desguarnecida.

Não me rendo a qualquer lâmina voraz.

Não sou mais dor, nem, do amor, sou mais ferida.

Não sou muleta, não sou má, mas sou capaz.


Agora o vento não me traz mais sofrimento.

Agora o tempo não faz falta para mim.

Agora posso, e sou, feliz neste momento.

E para sempre, sempre sempre, sempre enfim.


O meu corpo só precisa do meu sangue.

Outros prantos não terminam mais em mim.

A tristeza não sacia mais minha fome.

Não verão meu soluçar, nem o meu fim.


Não haverá dentro de mim qualquer espaço,

Para fracos, para frascos, falso amor.

Removerei qualquer sorriso de fracassos,

Pois não quero mais passear com minha dor.



Ailton Torres Câmara – Setembro de 2005


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

"If you don't have the balls to brake late, that's your problem."


..........
Lewis Hamilton disse que Kimi Raikkonen não tem colhões para disputar uma curva. Bom, isso é juízo de valor dele e não podemos julgar também. Mas podemos sim discutir como se dá a transmissão da informação em veículos de comunicação mundo afora. Alguns veículos de imprensa (Tá! entenda como mais um ataque a moda global de fazer as coisas...) traduzem as informações para o público "leigo", filtram e tratam os "fatos", como se fóssemos todos crianças. Essa super proteção leva a um emburrecimento geral. Isso poderia ser uma coisa besta, caso fosse uma ação isolada. Se eles filtram uma coisa boba dessa, o que não fazem com uma informação importante, que possa causar algum transtorno a eles próprios ou a aliados?
..........Sabemos que a maior parte do povo é ignorante... Mastigar informações é um modo de mudar isso? Continuo dizendo que esse puritanismo exarcebado atrofia o cérebro de qualquer um. "Colhões" já é um eufemismo. Hamilton falou "Bolas", como foi escrito no inglês balls e pelotas em espanhol. No brasil a maioria dos jornais usaram Colhões pra ficar menos vulgar. Mas dois veículos "censuraram" o termo. É como assistir a um filme dublado e ouvir dane-se como tradução de fuck you ou droga em lugar de shit. Não existe palavra feia, existe maneira de falar ofensiva, vulgar ou pejorativa. (Eu ia colocar essa observação em "p.s.", mas sei que alguns não chegariam lá...: ESTOU USANDO UM CASO PRA ILUSTRAR UM MODUS OPERANDI E NÃO ME REVOLTANDO CONTRA UM CASO ISOLADO).
..........Segue as reproduções das expressões usadas nos veiculos da imprensa esportiva:

BBC(Reino Unido): Como está no título, sem corte!:


"We had the same amount of grip," said Hamilton. "That's the way he drives.


"If you don't have the balls to brake late, that's your problem.

Yahoo!(Brasil): "Se ele não tem colhões para frear tarde é um problema
dele", afirmou, irritado com a situação e com as críticas de outros
pilotos.


Marca(Espanha): "Es su manera de conducir, la forma en la que pilota. Si tú no tienes pelotas para frenar más tarde, ese es tu problema", comentó Hamilton en rueda de prensa.

Olé(Argentina): "Es su manera de conducir, la forma en la que pilota. Si tú no tienes pelotas para frenar más tarde, ese es tu problema", dijo en conferencia de prensa.

Gazeta Esportiva(Brasil): “Bom, a única coisa que tenho a dizer é que o lance mostrou o estilo de direção do Raikkonen”, comentou Lewis. “Acontece que, se você não for homem o suficiente para fazer a freada mais forte, é problema seu.

Globo Esporte(Brasil): Esse é o jeito que ele dirige. Se ele não tem coragem para ser o último a frear, então é um problema dele. Nessas situações, vence quem consegue levar o carro ao seu limite.

AS(Espanha): "Bueno, así es su pilotaje, eso es todo. Así es como pilota. Si no tiene pelotas para frenar tarde, ése es su problema. En este tipo de situaciones es el piloto el que siente mejor el agarre y pone el coche más en el filo."

ESPN(Brasil): "Se ele não tem colhões para frear tarde é um problema dele", afirmou,
irritado com a situação e com as críticas de outros pilotos.

Lancenet(Brasil): - Eu não o ultrapassei porque meu carro tinha mais aderência naquele
momento, mas pela maneira que ele pilota. Se Kimi não tem culhão para
frear mais tarde, o problema é dele. No final das contas, em situações
como esta é o piloto que pode sentir melhor a aderência da pista e
levar o carro ao limite. Foi o que eu fiz – cutucou Hamilton.

..........Sem mais comentários...




sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Em Brancas Nuvens...



Alvíssima semente de orvalho,
Escrevo-te estes versos maltrapilhos,
Sonhando que, ao ver-te traduzí-los,
Teu peito seja enfim acelerado.

Rogo-te, meu ser luminescente,
Encolhido em minha rota substância:
Livra-me, de uma vez, de tua ausência;
Atende a esta súplica reticente;

Guarda, em teu coração, meus sentimentos.
Une-te aos meus nobres pensamentos.
Reserva-me o sabor de tua essência.

Guia-me! Seja a luz em minha jornada.
Encante-me a cada lance desta escada.
Leve-me ao amor! e deixe-me ao nada!


Ailton Torres Câmara - 4 de setembro de 2008